INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

A Insuficiência Cardíaca (IC) define-se essencialmente como uma síndrome causada por uma anomalia da estrutura ou da função cardíaca, conduzindo a um débito sanguíneo inadequado às necessidades do organismo. Afeta cerca de 380 mil adultos em Portugal, mas não tem recebido a prioridade necessária, faltando nomeadamente condições para o diagnóstico precoce.

A IC é uma síndrome com elevada prevalência, morbilidade e mortalidade, que representa uma sobrecarga económica e social de grande magnitude. Dados nacionais de 2015 mostram que o número de internamentos por insuficiência cardíaca cresceu 33% em oito anos, de 2004 a 2012.

A IC tem um quadro clínico pouco específico – cansaço excessivo, falta de ar, pernas inchadas, incapacidade para as tarefas diárias…-, que é comum a várias outras doenças. Muitas vezes o diagnóstico faz-se por exclusão. Existe uma análise de sangue que permite excluir a doença com grande probabilidade, mas não está disponível de forma comparticipada nos cuidados de saúde primários.

A doença é assim muito frequente, o diagnóstico é habitualmente tardio, os internamentos são recorrentes e a mortalidade é elevada. A IC já é considerada uma das principais epidemias do século XXI, e consome 1 a 3% do orçamento para a saúde nos países desenvolvidos.